Um outro olhar sobre nosso corpo
Quando tudo vai bem, nós só pensamos no corpo em termos estéticos. Quando ele nos faz sofrer, nós temos tendência a considerá-lo como um mecanismo um pouco enferrujado. E se nós o víssemos como o templo de Deus...
Responsáveis pelo nosso corpo
Nós assumimos responsabilidades em nosso trabalho, em nosso lar, mas nós paramos um instante para ver em que estado está nosso corpo? Nós nos responsabilizamos por ele? Nós fazemos a nossa toalete muito rápido, passando pela ducha ou pelo banho, depois nos vestimos, mas nós nem prestamos atenção ao que ele representa.
Amar seu corpo
Eu creio que é preciso bem entender duas coisas no corpo humano: primeiro amá-lo, considerá-lo como uma obra-prima - é a obra de Deus, não é a nossa. Nenhum pintor, nenhum escultor, nenhum artista nesse mundo é capaz de fazer um corpo humano e de fazê-lo viver. É a obra de Deus em toda a sua grandeza, em toda a sua beleza. A seguir cuidar dele, quer dizer, saber que nós só poderemos servir a Deus se nós começarmos a ver nosso corpo de um modo diferente. O corpo deve viver, mas nós temos de fazê-lo viver da maneira mais sutil, dando-lhe o que ele espera de nós. E é por amor que nós vamos lhe dar isto.”
Yvonne Trubert
Templo de Deus
“Deus criou o homem à sua imagem”, diz a Bíblia. Isto significa que ele se esconde no fundo de nós mesmos. Cada um de nós é portador de sua vida. Nós somos o reflexo de Deus permanentemente. Em todos nossos atos, em todos nossos pensamentos, em todos nossos olhares, em todos nossos gestos, nós somos seu reflexo. Nós somos seus filhos.
A primeira coisa a considerar, quando nós tomamos consciência de que somos filhos de Deus, é esta beleza do corpo, qualquer que ele seja ! Gordo, pequeno, magro, jovem ou menos jovem, isso não tem nenhuma importância. O corpo se mantém na sua beleza. Se ocupar dele, não é somente cobri-lo de pomadas e cremes, mas sobretudo lhe fornecer seu alimento divino. Ele necessita, para viver, do amor divino através da oração.
Nos reconciliarmos com nós mesmos
Compreender nosso corpo passa por uma reconciliação com nós mesmos. Isto significa parar de condená-lo e de maltratá-lo. Esta tomada de consciência é por vezes dolorosa. Pela doença o corpo nos envia mensagens que nós temos de procurar compreender. A dor que se expressa através de nosso corpo é a única que nos permite parar. A nossos olhos, o templo divino passa a ser visto, então, como um mecanismo enferrujado. Mas sem a dor, o homem jamais tiraria um tempo para se questionar sobre seu estado de ser. A doença é a ocasião de uma caminhada interior que vai nos levar à metamorfose, a aprender a escutar e a respeitar o que nós somos. Mas a dor não é obrigatória. Seria preciso que o homem pudesse ter tomadas de consciência sem necessariamente passar pela dor. Para tanto, comecemos a entender que Deus nos deu uma alma e um corpo, a aprender a nos conhecer nesta dimensão, a sentir que Deus está em nós, a amarmos e nós mesmos.

